sábado, 19 de fevereiro de 2011

Confete, serpentina & Tiririca

Não posso deixar de comentar as entrevistas que a CBN fez nesta manhã de sábado na Rua 25 de março.

“Por incrível que parece (sic) todo mundo só procura a máscara do Tiririca”, disse um lojista. Outro emendou: “acho que até o Carnaval ainda vai vim (sic) muita gente comprar a máscara”. Até da Paraíba veio um comerciante para se abastecer dos produtos carnavalescos da 25. “Compensa vir de tão longe?” “Ah, claro. Eu venho todos os anos, pois aqui é muito mais barato.

O impressionante são os dados. As máscaras de Tiririca estão batendo o recorde de vendas. A estimativa é que sejam comercializadas cerca de 100 mil peças. O nobre deputado fica com 50% deste total e os outros 50% divididos, na ordem, pelas máscaras de Dilma, Lula (o campeão dos oito últimos carnavais), Obama e Bin Laden. Interessante conferir as máscaras que não saem da prateleira: as de José Serra, Marina Silva, Marta Suplicy e da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

Noutro dia li que as empresas que fabricam as máscaras estavam em negociação com a diretoria do Flamengo para produzir as do Ronaldinho Gaúcho. Quem quiser uma do rubroastro terá que recorrer à genérica, que já está na praça, sobretudo no Rio de Janeiro.

Com ou sem Ronaldinho, o carnaval 2011 já está decretado: será a cara do Tiririca.

A constelação literária de Haroldo de Campos

Haroldo de Campos clicado por German Lorca
H LÁXIA é o título da Ocupação Haroldo de Campos que está em cartaz no Instituto Cultural Itaú e Casa das Rosas até 10 de abril. A exposição tem como principal obra de referência o livro-poema Galáxias. A curadoria é do "decompositor" Lívio Tragtenberg, do poeta Frederico Barbosa e dos professores Marcelo Tápia e Gênese Andrade.

A exposição apresenta instalações sobre a obra de Haroldo – como a peça sonora e visual inédita de Lívio Tragtenberg, H LÁXIA, que dá título à exposição. Também é destaque da atividade a exibição, pela primeira vez, de uma seleção de livros anotados pelo autor – sua marginália. Assim, o público descobre o que o poeta e tradutor pensou no momento de ler as obras. Também tem acesso a seus poemas, manuscritos de suas obras e parte da sua hemeroteca.

Os curadores mergulharam nas cerca de 20 mil publicações acumuladas por Haroldo junto a pastas de recortes e obras de arte que formavam a sua biblioteca, iniciada na juventude por ele, junto com seu irmão Augusto. Os livros foram tantos que ocuparam todas as estantes e paredes da casa do poeta em Perdizes, que passou a ser chamada de “bibliocasa”. Em 2004, a família doou todo o acervo para o Estado de São Paulo, que o depositou na Casa das Rosas, rebatizada então como Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.

Foi vasculhando este precioso acervo que os curadores recuperaram o universo de Haroldo. Boa parte desse universo está representado na exposição. Ao visitar a Ocupação Haroldo de Campos – H LÁXIA, o público encontra pistas para conhecer não somente a obra como também o personagem.

A exposição começa no Itaú Cultural e prossegue na Casa das Rosas. Ao chegar, do lado de fora da casa o visitante depara-se com 24 totens rentes ao chão que ostentam trechos do poema Servidão de Passagem. Uma instalação metalinguística, posto que aquele espaço é uma “servidão de passagem”, que liga a Av. Paulista à Alameda Santos.

No Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô - 11. 2168-1776/1777) a Ocupação Haroldo de Campos fica aberta de terça a sexta, das 9h às 20h e sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h. Na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37 - Bela Vista – 11 3285-6986), de terça a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 10h às 18h.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Goleada: 26.723,13 x 545,00

Este foi o resultado do jogo de ontem no estádio do Congresso Nacional, em Brasília, em partida disputada entre deputados e eles mesmos. A quase mesma Câmara que demorou nove horas de debate para aprovar o fantástico aumento do salário mínimo para R$ 545, em dezembro de 2010, aprovou em votação relâmpago o aumento de 62% para os próprios salários, que agora em fevereiro passará para R$ 26.723,13.

No bojo deste último, levou o aumento também para os senadores, presidente e vice-presidente da República e ministros do governo federal. Deverá influenciar ainda as discussões sobre tema nas assembléias legislativas e câmaras municipais deste nosso Brasilzão.

É bom que a gente não se esqueça que deputados e senadores recebem 15 salários durante o ano e engordam seus vencimentos com as verbas de gabinete, passagens aéreas, moradia, plano de saúde e gastos administrativos. Aliás, não entendi até hoje o porquê de eles receberem 15 salários e não 13 como todos os trabalhadores brasileiros, mesmo porque, com tanto recesso, eles não trabalham os 12 meses do ano como todos nós. Deveriam, portanto, receber 10 ou no máximo 11 salários.

Respondi a uma pesquisa que a UOL fez hoje com o tema: Qual é o valor de salário mínimo ideal? Votei e quando conferi o resultado lá estava:

R$ 2.194,76 do Dieese                              (52,70%)
R$ 600 de José Serra                                (26,80%)
R$ 545 de Dilma Rousseff                          (12,10%)
R$ 560 dos sindicalistas e da oposição       (8,40%)

Abaixo vinha a advertência: Atenção: O resultado desta pesquisa não tem valor de amostragem científica. Huumm, mas reflete o que pensa a maioria, não é?


Os jornais de hoje relacionaram alguns itens que o trabalhador pode comprar com os seus fantásticos R$ 545,00. Ele pode, por exemplo, comprar sua cesta básica por R$ 72,00 (13,21%), obturar um dente por R$ 58,00 (10,6%) ou extraí-lo por R$ 87,00 (15,96%). Se for fanático por futebol, terá que gastar R$ 30,00 (5,5%). E por aí vai.


Quanto ao aumento dos deputados, só mesmo reproduzindo o comentário de Tiririca quando soube que ainda nem assumira o mandado e já tinha garantido o aumento fabuloso: “Cheguei com sorte”. Sorte, Tiririca! A maioria dos trabalhadores do país que você representa teve aumento de apenas 5%. Que azar, né?

Para terminar fugindo completamente do assunto, sou o convidado da edição de fevereiro da Revista Brasileiros na seção Poetas Brasileiros. Confiram nas bancas ou no site da revista: http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/43/textos/1380/

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Burro chucro

Eu sou mesmo persistente
E mesmo que alguém tente
Me desmoronar:
Sou castelo de pedra,
Sou um príncipe valente,
Sou o princípio da corrente.

Olha que eu sou capaz
De estourar os miolos,
De quebrar os tijolos na cabeça,
Na cabeça de pensar,
Na cabeça de usar chapéu.

Eu sou mesmo inconsequente
E mesmo que alguém tente
Me endireitar:
Sou cadeira de ferro,
Sou um trem no trilho,
Sou aquele pródigo filho.

Olha que eu sou capaz
De desacatar as vidas
De sorrir das feridas na cabeça
Na cabeça de pensar
Na cabeça de usar chapéu.

Burro chucro, doma a vida.

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Quero um estetoscópio azul
Para auscultar o coração de um rei.
Hei de descobrir nas batidas
O porquê de ele ditar a lei.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A little box of surprises

Antes do jogo no domingo caí na besteira de postar no meu Facebook: “Sou Palmeirense desde pequenininho, porém pela primeira vez estou preocupado com o jogo de hoje. Se o meu verdão ganhar daquele time rival, coitada daquela nação. A casa cai de vez.”

Tão logo o jogo acabou lá veio a enxurrada de comentários em cima do meu comentário infeliz. Fiz a graça porque tinha toda a certeza do mundo que o líder verdão daria uma surra no rival. Toda a certeza? Humm, eu deveria ter me lembrado da máxima da máxima do futebol que diz: o futebol é uma caixinha de surpresas ou para quem não entende português, a little box of surprises.

Deveria ter me lembrado, sobretudo, do meu post de dezembro neste blog (http://dirceurodrigues.blogspot.com/2010/12/tout-puissant-mazembe.html), quando o desconhecido Mazembe, do Gongo, eliminou o Internacional, de Porto Alegre, no Mundial de Clubes, contrariando os prognósticos dos doutores em futebol e reforçando a máxima da caixinha.

Esta semana está sendo profícua para falar de futebol. No sábado, assisti ao amistoso de despedida da Marta entre a equipe feminina do Santos e a seleção da Coréia. A Band transmitiu e ex-jogador Denílson foi o comentarista do jogo. Lá pelas tantas ele solta a pérola: “Se eu fosse a Marta, "trairia" o jogo para o meio de campo". Passados alguns minutos, ao perceber a besteira que havia dito, tentou se corrigir e se enrolou ainda mais para tentar pronunciar a palavra “traria”.

O mesmo Denílson respondeu a uma pergunta do telespectador na derrota do Brasil para a Argentina no domingo à noite. Pergunta: “Com um homem a menos (o zagueiro Juan havia sido expulso logo no começo do jogo), aumenta a responsabilidade do Neymar?” Resposta: “Aumenta, é claro... para nós telespectadores, porque no campo a responsabilidade é igual para todos os jogadores.” Brilhante comentário.

O Diário de São Paulo publicou na capa da edição desta quarta-feira uma foto de Adriano com uma caneca de chope na mão. Abaixo o brilhante título: Imperador chega ao Rio e já começa “tratamento”. Na madrugada, enquanto o jornal estava nas rotativas, Adriano era parado por uma blitz. O imperador se recusou a fazer o teste do bafômetro. Perdeu a carteira de motorista e irá pagar a multa – uma merreca para ele – de R$ 957,70. Esta matéria estava de manhã nos sites daqui e de toda a Itália.

Outra notícia saborosa do caderno de esportes do Diário foi sobre as lesões de nomes exóticos dos jogadores do Verdão. O título é Parece até vodu. Edmundo teve problemas no músculo poplíteo do joelho direito; Figueroa, uma periostite femural; Pierre, uma fastite plantar; Valdívia, uma fibrose na coxa direita; e Dinei, no último domingo, sofreu uma fratura no rebordo posterior do acetábulo direito. Como esses nomes todos esquisitos, a matéria sugere que o Verdão troque sua equipe médica pela do Doutor House.

Para finalizar esta quase coluna esportiva, resta lembrar que na quinta passada, um dia após a posse, o nobre deputado Romário foi flagrado na praia da Barra da Tijuca jogando futevôlei. Bem, aí o nobre deputado contraria a máxima. Romário na praia jogando futevôlei – todos nós sabemos – não é a little box of surprises.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

CHEGADA

Vim com a cara e a coragem,
Um fogo, uma vontade
De seguir viagem.

Vim com a vida, a vadiagem,
Uma foto, uma verdade.
O meu corpo uma colagem.

Cheguei disposto
A quebrar o encanto
Deste espelho mágico,
A entoar meu canto,
Partir em mil esperanças
Este retrato trágico.

(o corpo, retrato falho,
Imensa colcha indefinida)

Não sei se sou eu quem chora,
Ou se é o outro lado quem se diverte.

Só sei que cheguei
Com o gosto
De quem ganhou a luta,
Sem tê-la iniciado.

O que a vida me deu
E não se arrependeu
Eu trouxe e dou
Dou a quem quiser.

A quem estiver deste
Ou do outro lado da margem
Eu dou a minha força,
A minha cara e coragem.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Multas S/A

O trânsito Av. Rio Branco estava completamente parado na tarde daquela sexta-feira, 17 de dezembro de 2010. Um marronzinho tentava aliviá-lo da maneira que podia. Com o apito na boca e aquele gesto típico com o braço erguido induziu alguns motoristas a circularem pela faixa exclusiva dos ônibus. Esta foi sua estratégia. Brilhante decisão, pois o trânsito começou a melhorar, ainda que lentamente. Uma semana depois desta tarde congestionada um dos motoristas recebeu em casa a MULTA de R$ 127, que chegou acompanhada dos cinco pontos na carteira. Quem multou? O indefectível radar que flagra quem trafega pelo corredor de ônibus.

Esta história foi narrada com todas as letras na edição de hoje do Diário de São Paulo, que também publicou os números de uma das indústrias que mais faturam na cidade de São Paulo: a Indústria das Multas S/A, que conta hoje conta hoje com 577 radares (177 deles inteligentes, que flagram até os veículos que não passaram pela inspeção veicular e multam os motoristas em R$ 550) e 2.450 agentes de trânsito para controlar o trânsito e multar, multar, multar.

As histórias são muitas e todo mundo tem uma para contar. Eu tenho a minha: certa vez a multa chegou dizendo que eu estacionara na Av. Cruzeiro do Sul, em frente à Rodoviária, numa quarta-feira, às 8 da manhã. Na época morava numa travessa da Rua 13 de maio e trabalhava em Pinheiros. Nunca, nunquinha mesmo estaria em frente à rodoviária naquele horário e, mesmo que tivesse ido, não pararia meu veículo na Cruzeiro do Sul. Aliás, me recuso a buscar alguém na Rodoviária. Quem chegar à cidade que pegue o Metrô. No máximo eu pego o amigo ou parente numa estação na região da Paulista. Enfim, recorrer àquela multa me fez perder muito tempo e não deu em nada.

Outra história aconteceu com um amigo aqui do trabalho. Ele subia a Rebouças, para variar congestionada. No cruzamento com a Henrique Schaumann, o trânsito à frente parou. Então ele freou seu veículo antes da faixa aguardando que o trânsito fluísse. Porém, uma marronzinha soou apito e indicou que ele prosseguisse. Meu amigo o fez e então aconteceu: o farol fechou e ele ficou no meio do caminho. Dias depois chegou a multa, aplicada, talvez pela mesma marronzinha. A quem recorrer neste caso? Ao diretor de trânsito? Ao prefeito? Ao governador? Ou àquela marronzinha que o mandou prosseguir?

Finalizo este post com um testemunho. Todos os dias na minha volta pra casa, lá pelas 19h30/20h desço num supermercado na Av. Vital Brasil. Invariavelmente, neste horário dois ou três veículos da CET estão sempre estacionados e, dentro deles, os agentes de trânsito – que deveriam estar controlando o trânsito caótico daquela região – estão passando a limpo as multas do dia, que irão direto para os cofres da Indústria das Multas S/A. Será que eles ganham comissão por multa aplicada? Pergunto.  

O que fazer para acabar de vez com este problema? Uma solução é o cidadão vender seu veículo e utilizar o transporte público. Transporte público? Ah, ia me esquecendo. Este é outro problema!